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O que é Fotografia de Rua?

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This post is part of a series called Street Photography.
Choosing a Camera for the Street: 7 Tips to Help You Find the Equipment You Need

Portuguese (Português) translation by Eloisa Valdes (you can also view the original English article)

Nota de Editor: Este é o primeiro artigo numa série de tutoriais e artigos que exploram a fotografia de rua e a criação de imagem no mundo.

Como toda a criação artística, a fotografia de rua é um empreendimento extremamente pessoal. Se usares a realidade como a tua tela, vais ficar exposto a muitas pessoas e cenários diferentes. Pese embora esta série contenha pensamentos que tivémos e estratégias que usámos, eles não são, de todo regras. O objectivo desta série é ajudar-te a decidir quem és, o que queres, e como planeares para o obter. A forma como te comportas na rua, as tuas metodologias para tirar fotografias, e os teus motivos para estar ali são únicos. Encorajamos-te a experimentar com várias abordagens, equipamento e configurações até encontrares aquilo que funciona melhor para ti.

Realidade Como A Tua Tela

O que é fotografia de rua? Vamos começar com uma definição: os fotógrafos de rua utilizam o público geral e os espaços públicos como o seu tema.

A fotografia de rua está intimamente ligada ao espontâneo e imprevisível. Requer mais improviso e intuição para executar do que outros tipos de fotografia. O meu palpite é que essas qualidades evasivas e incontroláveis são aquilo que chama os fotógrafos - é um desafio, no mínimo - mas as recompensas são profundas e extremamente significativas, especialmente a nível pessoal.

Fotografar na rua é receber uma lição de vida.

A realidade é uma corrente de reacções e caos a desenrolar-se continuadamente, e o fotógrafo de rua tem o impulso para lhe dar um sentido ou, pelo menos, anotá-lo. Como resultado, todo e qualquer "trabalho" que os fotógrafos de rua fazem acaba por alimentar o seu entendimento pessoal de vida, tornando as suas vidas mais ricas, dedicadas e satisfatórias. Os fotógrafos de rua são profundamente fascinados pela realidade, e estão comprometidos a confrontar-se com o que ela é, mesmo que não gostem do que vêm.

Family on the street in Bedford-Stuyvesant Brooklyn 2014
Fotografia por Amy Touchette, Bedford-Stuyvesant, Brooklyn, 2014

Fotografia como uma Condição

Uma das minhas citações favoritas pela fotógrafa de rua Diane Arbus é "A condição de fotografar é talvez a condição de estar à beira da conversão para qualquer coisa". É uma citação poderosa porque Arbus descreve a fotografia como uma condição, uma forma de ser ou um estado mental - não como uma acção que tomes ou faças. Quando pegas na tua câmara a tua mentalidade tem de se abrir às possibilidades devido à natureza do que a tua câmara faz, que é gravar momentos rápidos que estão prestes a acontecer.

Uma vez que não adivinhamos o futuro, nem sequer um breve momento, e porque a vida não pára para termos essa capacidade, sempre que carregas no botão de disparo tens de dar um salto de fé. Tens de confiar nos teus sentidos para que estejas aberto à "conversão", como dizia Arbus. Tens de ser capaz de aceitar o que vem a seguir, mesmo sendo impossível saber o que vai acontecer - tal como na vida, idealmente, quando tentamos "ir com a corrente". Fotografar na rua é receber uma lição de vida, e é por isso que nunca é uma perda de tempo, mesmo que nenhuma das fotografias resultantes sejam um, como se costuma dizer, sucesso. A mera tentativa permite-te colher os benefícios.

Sentar-se na Vulnerabilidade do Desconhecido

Os fotógrafos de rua gostam de sentar-se na vulnerabilidade do desconhecido, apesar do facto de isso por vezes ser desconfortável ou até mesmo resultar numa situação desagradável com outra pessoa. Uma razão é porque, mais do que menos, a humanidade encanta de formas surpreendentes se estiveres aberto a essa possibilidade. Outra razão é porque é honesto; significa dar atenção à vida no geral, sem olhar para o lado. Os fotógrafos de rua com bastante experiência estão habituados a confrontar a realidade e estão, por isso, acostumados a ultrapassar sentimentos que nos assolam a todos em algum nível: medo e insegurança. Mas, uma vez que não há duas situações iguais na vida real, até mesmo os fotógrafos de rua experientes dão de caras com a superfície espinhosa da trepidação e dúvida, e têm de encontrar formas de lidar com isso. Polir essa capacidade - habituar-se a enfrentar desafios - é talvez a maior razão pela qual a fotografia de rua é uma experiência tão bonita e útil de se ter. Pode facilitar-te a vida porque estás habituado a envolver-te com o mundo, mesmo que indirecta ou temporariamente.

Fotografar um ambiente sem controlo como a rua também requer paciência, porque nunca se sabe onde estão as imagens. Aqueles que se sentem chamados pela fotografia de rua são errantes curiosos, muito como caminhantes no mundo selvagem, que estão dispostos a percorrer milhas à procura da sua ideia de verdade ou beleza. Procuram em todo o lado: nos cafés, na praia, no parque, numa avenida movimentada, num cinema, num autocarro, num beco deserto, numa cidade suburbana, ou numa estrada de terra que vai dar a uma quinta. Os fotógrafos de rua estão confortáveis a sós - quer numa multidão de estranhos quer literalmente isolados - e estão habituados a estar em situações e cenários que lhes são estranhos. Alguns fotógrafos de rua nasceram com muitas dessas habilidades e características; outros, como eu, envolveram-se inicialmente na fotografia de rua para os obter ou consolidar.

Observar a Condição Humana

A maioria da fotografia de rua cânone mostra-nos imagens cândidas do dia-a-dia: pessoas que estão a tratar da sua vida, sem se dar conta da presença do fotógrafo. Mas o género também inclui desvios desse estilo. As imagens de Garry Winogrand, por exemplo, são ilustrações cândidas que por vezes incluem contacto visual, retratando o momento em que os seus sujeitos percebem que estão a ser fotografados. Outro exemplo é Diane Arbus, que pediu autorização às pessoas que viu na rua para lhes tirar retratos improvisados. E depois temos Eugène Atget, cujas fotografias quase nem incluem pessoas, apenas uma pista ou sugestão das mesmas.

As pessoas têm estado fascinadas com a realização de fotografias na rua desde 1840, quando William Henry Fox Talbot inventou o calótipo. O pintor Francês Charles Nègre, que começou a fotografar em 1844 para coleccionar cenários para as suas pinturas, foi um dos primeiros fotógrafos de rua mais conhecidos. Outros mestres praticantes de fotografia de rua seguiram-se, incluindo aqueles acima mencionados e ainda Alfred Stieglitz, Paul Strand, Henri Cartier-Bresson, Brassai, André Kertész, Walker Evans, Dorthea Lange, Weegee, Helen Levitt, Elliott Erwitt, Josef Koudelka, William Klein, Robert Frank, Louis Faurer, Lee Friedlander, Joel Meyerowitz, Martin Parr, William Eggleston, Bruce Davidson, Tom Arndt, Joel Sternfeld, Mary Ellen Mark, Alex Webb, Paul Graham, Jeff Mermelstein, Thomas Roma, e Mitch Epstein, só para nomear alguns. E, claro, a maioria desses fotógrafos fizeram muito mais do que apenas fotografia de rua durante as suas carreiras: como observadores da condição humana, também têm sido compelidos a lidar com uma variedade de temas.

Portrait of Dottie Reid New York NY between 1946 and 1948
Retrato de Dottie Reid, Nova York, N.Y., entre 1946 e 1948. Gottlieb, William P., fotógrafo. Biblioteca do Congresso número LC-GLB04- 1498

Espaço e Tempo como Meio

A arte de capturar a vida real é largamente incompreendida, em parte porque utilizar porções de realidade e tempo como um meio é confuso, mesmo para aqueles que são versados nas artes visuais. É difícil falar sobre fotografia "pura" (em oposição à fotografia "conceptual") como fazemos noutras disciplinas artísticas. O pintor utiliza um pincel para aplicar a tinta na superfície, tal como o fotógrafo de rua usa a sua câmara para aplicar um pedaço de realidade num negativo ou num ficheiro digital, mas é muito mais fácil discutir o processo envolvido na pintura.

A tinta é tangível e táctil; compreendemos como é que se move numa superfície, como pode ser manipulada para atingir certas cores e texturas, e o quão difícil pode ser realizar um quadro bem sucedido. Muitas vezes vemos as marcas do pincel do artista, provando-nos o seu labor e revelando as pistas de pelo menos algum do seu processo.

As fotografias puras, por outro lado, não descortinam o esforço do fotógrafo, a sua técnica ou talento, tão rápida ou directamente. De facto, essas fotografias podem ser vistas pelos seus observadores como algo vazio de talento: golpes de sorte, momentos onde o fotógrafo estava no sítio certo e na hora certa por acaso e, com um simples clique num botão, foi capaz de revelar a cena.

Que certos fotógrafos estejam consistentemente "no lugar certo à hora certa" é uma faculdade tão diferente de outras disciplinas, tão incompreensível como um meio, que muitas vezes é esquecida nas Belas Artes. Mas é uma competência, que podes desenvolver e polir.

Entrar Directamente nas Ondas

A melhor descrição da experiência de fotografar na rua com que já me cruzei é do fotógrafo Joel Meyerowitz, que disse no seu livro Bystander: A History of Street Photography que é

"como entrar no mar e deixar as ondas quebrarem-se por cima de ti". Sentes o poder do mar. Na rua cada onda sucessiva traz-te todo um novo grupo de personagens. Apanhas onda atrás de onda, banhas-te nele. Há algo de excitante em estar no meio de uma multidão, em toda aquela mescla de sorte e mudança - é duro estar ali - mas se conseguires prestar atenção algo se revelará".

Saber que "algo" está por aí é o que mantém os fotógrafos de rua no seu rumo.

Da próxima vez entraremos mais fundo nas ondas. Entrar no mundo da fotografia de rua significa perceber as tuas motivações, definir as tuas intenções, focares-te, e estares ciente de quem és e de onde estás, por isso será aí que vamos começar.

Leituras Relacionadas

Até lá, Smartphone as Camera: Embracing Photography's New Visual Vocabulary por Dawn Oosterhoff é uma boa introdução aos contornos fotográficos da câmara de rua favorita de muita gente: o smartphone.

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